quarta-feira, 27 de maio de 2026

MINHA ALMA FOI FERIDA POR JUSTOS

Fira-me o justo, será isso uma benignidade..." SALMOS 141.5

Temos que saber a diferença de saber quando vc é ferido por justos e feridos por ímpios .
O ímpio quer te aniquilar, te faz sangrar para morrer exposto. Os justos faz a ferida para o teu bem. O confronto que vem de alguém íntegro não visa o aniquilamento do outro, mas a sua frutificação. Dói, mas é uma dor pedagógica.
O Golpe do Ímpio é o linchamento virtual ou presencial. Ele expõe a ferida para que o sangue atraia os predadores. O objetivo é o apagamento do outro, a desumanização pura.
O Corte do Justo: Dói tanto quanto, ou talvez até mais, porque vem de quem respeitamos. Mas o objetivo é a alteridade, é fazer com que o sujeito se enxergue. É o "Evangelho com rosto" que não passa a mão na cabeça, mas segura a sua mão enquanto você chora o luto do próprio orgulho.
Diante da repreensão justa, o ego pode querer sangrar (gritar, se vitimizar, contra-atacar). Mas se deixa sangrar porque sabe que essa ferida é para seu bem. É preciso muita maturidade para chegar a esse nível. Ter capacidade de digerir o confronto sem transformá-lo em ressentimento.
A alma madura processa o golpe e, em vez de espalhar a hemorragia do orgulho ferido, produz o "excelente óleo". A própria matéria-prima que responde ao corte é a que promove a cura e gera valor.
O justo, ao confrontar, não quebra a sua cabeça (ou a sua integridade); ele apenas abre o canal para que o que há de mais autêntico e curativo em você venha para a superfície. É o "Evangelho com rosto" manifesto na capacidade de suportar a verdade sem se despedaçar. Você é capaz de suportar a verdade dos justos sobre você?
Ser ferido por justos é como a seringueira que é ferida pelo sangrador, não para matá-la mas para que ela produza o seu fruto. Sem o ferimento não tem como mostrar o fruto.
O sangrador talentoso sabe exatamente a profundidade da lâmina; se ele errar a mão e atingir o lenho, ele mata a árvore. Se o justo errar a mão no confronto, ele destrói o outro. Mas quando o corte é cirúrgico, na medida exata da técnica e do cuidado, o látex flui. A ferida vira vazão, não esvaziamento.
FernandoRomero

O QUE É HOSPEDAR ANJOS ?

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” — Hebreus 13:2
A hospitalidade é uma fonte de riqueza que nos prepara para receber as “bênçãos dos anjos”. Quando uso o termo “anjo”, não me refiro necessariamente a seres celestiais, mas a pessoas que agem como verdadeiros anjos em nossas vidas. O anjo é o portador de algo que Deus lhe confiou; são servos daqueles que vão herdar a salvação, agindo ativamente a nosso favor.
Hoje, vivemos trancados em bolhas sociais, políticas e digitais. O algoritmo das redes sociais nos entrega apenas o que já gostamos e nos cerca de pessoas que pensam exatamente como nós. O “anjo”, no entanto, frequentemente está fora da nossa bolha.
Anjos são aqueles que nos trazem algo a que jamais teríamos acesso se eles não chegassem. A palavra grega original para anjo (ággelos) significa literalmente “mensageiro”. Portanto, qualquer pessoa que Deus envia para trazer uma resposta, um socorro, uma oportunidade de emprego ou um conselho que você não alcançaria sozinho, está agindo como um anjo na sua vida.
Mas esse acesso só se dá por meio da hospitalidade.
Muitas vezes, a resposta de Deus para a nossa vida vem através de alguém que não veste as roupas que aprovamos, não frequenta a nossa igreja ou não vota no nosso partido. Se fechamos a porta para o diferente, fechamos a porta para a nossa própria bênção.
A hospitalidade nos protege do empobrecimento, pois o outro pode nos conectar a muitas riquezas: um trabalho, um médico, um auxílio no momento de crise. A riqueza de Deus é descentralizada. Ele não deu todos os dons, talentos e recursos para uma única pessoa ou comunidade; Ele os espalhou pela humanidade. Quando praticamos a hospitalidade (que, no original, significa “amor aos estranhos”), nós nos conectamos a essa rede de generosidade divina.
Ser hospitaleiro não é apenas abrir a porta da casa física; é abrir a porta da própria existência para o inesperado de Deus.
Fernando Romero

QUANDO A VIDA NOS PERGUNTA: ONDE DE FATO EU PERTENÇO? QUAL É O MEU LUGAR?

Estou no lugar que me cabe ou estou preenchendo o vazio de outra pessoa? Há alguém preenchendo o meu vazio, ocupando o espaço onde eu deveria estar?

É preciso estar no lugar certo para depositar a minha voz. Só tenho voz no lugar ao qual de fato pertenço. Minha voz pode estar faltando por eu insistir em permanecer onde já não caibo mais — e, enquanto isso, outro coloca a voz no lugar que era para ser meu.
Quando estamos no lugar errado — seja em um relacionamento, no trabalho ou em uma dinâmica familiar —, nós nos tornamos um eco, não uma voz. É o que chamamos de desalinhamento existencial.
Jesus fez esta pergunta aos discípulos: “Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”
Pedro dá a resposta correta porque entendeu que o “lugar” não era um espaço geográfico, mas um espaço de verdade. O lugar correto é aquele onde existe verdade suficiente para tentar outra vez. É o solo onde o erro não gera condenação, mas aprendizado; onde a vulnerabilidade é permitida.
No lugar errado, você gasta energia tentando caber. Há desgaste, silenciamento e a sensação constante de ser um impostor na própria vida. Ali, a gente não apenas gasta energia para caber; a gente se fragmenta para caber. Torna-se um impostor porque o figurino pertence a um personagem que nunca fomos nós.
No lugar certo — o lugar da verdade —, há espaço para o erro, para o aprendizado e para a reconstrução. É onde a sua voz encontra eco e utilidade.
Às vezes, o maior ato de coragem não é insistir em permanecer, mas ter a honestidade de olhar ao redor, perceber que a verdade já não habita mais ali e perguntar a si mesmo: Para onde irei eu agora?
FernandoRomero

quarta-feira, 20 de maio de 2026

JESUS É CONTRA A RELIGIÃO QUE OPERA POR ALGORITMOS.

Algoritmo classifica as pessoas e excluem outras.

O algoritmo, por definição, vive de filtragem, rotulagem e segregação. Ele precisa categorizar para incluir ou descartar, criando bolhas de iguais e isolando o que é considerado "ruído" ou "erro".
Quando transpomos isso para a dinâmica social e religiosa da época de Jesus, os fariseus operavam exatamente como um algoritmo de purificação social:
Se cumpre a lei pertence ao grupo X, então é digno da mesa. Se falha na métrica ou carrega o rótulo de "pecador", então é bloqueado e excluído do feed da comunhão.
Jesus sempre que estava a mesa enfrentava esse problema do algoritmo com os religiosos . Jesus se assentava com os pecadores.
A mesa de Jesus era o pesadelo do sistema porque ela quebrava o código. Ao se assentar com publicanos, prostitutas e marginalizados, Ele causava uma pane no sistema dos fariseus. Eles não conseguiam processar aquela imagem porque, na lógica deles, a santidade dependia do isolamento; em Jesus, a santidade se manifesta na aproximação.
E era acusado pelos fariseus: “este homem se assenta com pecadores”. Na verdade os fariseus estava dizendo: Jesus não pertence ao nosso algoritmo.
Na mesa de Jesus não pode ter algoritmo. Esse entra, esse não. Na mesa da comunhão real, não existe "critério de engajamento" ou "perfil verificado". O algoritmo calcula quem dá lucro ou quem valida o sistema; Jesus acolhe quem precisa de cura.
Porque ma mesa de Jesus o privilégio é nosso. Em Jesus não habita algoritmo de classificação. O convite é universal: “vinde todos”.
O "vinde a mim todos" é o oposto do funil de conversão digital. É a desconstrução de qualquer barreira que tente dizer quem pertence e quem fica de fora.
Feenando Romero

sábado, 4 de abril de 2026

JESUS FUGIU DO ESTADO. HOJE, ELE SERIA DEPORTADO?

Baseado em uma reflexão do teólogo Alan Gentil

“A primeira marca de Jesus logo após seu nascimento é de ser um refugiado político. Sua família foi forçada a fugir da sua terra natal para escapar da violência do Estado personificada no rei Herodes. É um deslocamento forçado. “ Alan Gentil

¹E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José num sonho, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito. Mateus 2:13,14

Essa visão de Jesus é interessante pois humaniza Jesus. É interessante também pelo fato de milhões de refugiados estarem saindo de seus países forçados pelas guerras ou por não quererem viver um uma pobreza demasiada, vão se refugiar em outros países.

Esse pensamento provoca, pois está na moda líderes que se dizem cristãos para ganhar votos, mas implementam políticas de exclusão. Outros deportam os refugiados sem piedade. Essa hostilidade ao refugiado não condiz com um seguidor de Jesus.

Ao fechar a porta ao migrante, os tais governante fecham a porta para o próprio Jesus no Egito.

Poucos são as autoridades políticas que recebem quem necessita como o Egito recebeu Jesus e sua família. Jesus continua com a face de refugiado.

Ele mesmo disse:

” Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Mateus 25:35-40

A hospitalidade é um ato de sobrevivência para o próprio Deus que se esconde no pobre.

Se Jesus batesse à nossa fronteira hoje, qual seria o carimbo no seu passaporte?

Será que já não deparamos com Jesus no metrô ou em uma notícia de naufrágio

Se o Messias chegasse hoje sem visto, onde ele dormiria? Ele teria lugar em sua casa?

 

terça-feira, 31 de março de 2026

O CHEIRO DA CASA É DE AMOR OU CORRUPÇÃO.

Mãos que Ungem, Corações que Roubam
Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento. Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? ´joão 12.1-5
Jesus foi cear na casa de dos irmãos Maria, Marta e Lázaro. Jesus estava com seus doze discípulos. A cena é interessante, porque mostra Maria derramando nos pés de Jesus um frasco de perfume de nardo puro que era caríssimo. Judas ao ver esse gesto reprovou: “. Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?
O padre Fábio Marinho em sua homilia faz uma leitura interessante dessa passagem: “Maria ao derramar um perfume caríssimo mostra que o amor verdadeiro não faz conta, ele se derrama. A casa fica com o cheiro do amor no gesto de Maria. Judas ao reprovar Maria, revela que nem todo discurso social é amor; quando ele pergunta: Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Não é porque ele ama, mas porque por um lado ele fala de justiça mas por outro lado ele era corrupto. Queria parte do dinheiro.”
“ Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.” João 12.6
Maria ama sem calcular. O amor não economiza: Para quem ama, o "excesso" é o mínimo. A entrega é pública: O cheiro "encheu a casa". O amor autêntico não consegue ficar escondido; ele altera o ambiente e influencia quem está por perto.
Judas calcula tudo sem amar. A retórica como esconderijo: Ele usa a causa dos pobres para ocultar sua ganância. É o perfume barato do moralismo usado para disfarçar o mau cheiro da corrupção. na mesma casa e na mesma mesa, temos cheiro distintos.
Qual perfumes exalamos? O cheiro do amor que impregna o ambiente, ou o coração dividido entre o discurso de justiça, mas que tira o que é do outro
Você já parou para pensar em qual "cheiro" você deixa em seus relacionamentos ou no ambiente onde vive e trabalha?
FernandoRomero.

segunda-feira, 16 de março de 2026

NÃO HÁ CADEIRAS VIPS NO REINO DE DEUS


cuide para ser mais um em vez de ser o cara…
Como devemos viver em comunidade segundo Jesus? Como o próprio nome sugere: em comum-unidade.
Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido.E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. “ Mateus 20:20,21
A mãe de dois dos discípulos chegou para Jesus com um pedido. Que os filhos dela fossem os cara no reino de Deus. Sem dúvida, essa mulher estava envenenada pelo poder do eu.
Dize que estes meus dois filhos se assentem...". É um pedido de decreto, não de mérito ou serviço. Ela quer garantir os "lugares VIPs" antes de entender a natureza do Reino.
São muitos os que vivem dessa forma; tecem seus fios não em comum-unidade, mas querendo ser destaque. Essa mulher causou um desconforto com os demais discípulos. Quem você dessa forma rasga o tecido social.
Devemos tecer nossa vida com os fios do evangelho. Jesus após ouvir essa mulher fez uma advertência:
“Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles.
Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal;
E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.”
Mateus 20:25-27
O que Jesus está ensinando é: seja mais um, seja parte da comunidade, em vez de querer as maiores cadeiras e posições. E caso, chegar a essas posições, que seja por ser parte, por contribuir com seu serviço, seu dom. Sempre temos que ter em mente o “entre vós não será assim”
O seguidor de Jesus entende essas palavras, e vai fiando sua vida em construir fio a fio o reino de Deus. Ele faz isso sendo parte, em vez de se portar como essa mãe que queria os melhores lugares só para parecer importante.

FernandoRomero