“Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.” Jeremias 18.4
Lendo a famosa passagem do oleiro em Jeremias 18, fui levado a estudar o kintsugi.
Kintsugi é uma técnica japonesa de reparar cerâmicas quebradas com ouro. A rachadura é glorificada com prata ou ouro. Começa com a coleta das partes da cerâmica quebrada,
Os fragmentos são reunidos na mão do artesão e colados com urushi derivada da árvore-da-Laca, e, por cima dessa substância é colocado pó de ouro. A reparação das partes fragmentadas tem suas lacunas preenchidas por pó de ouro. Kintsugi é o acolhimento das imperfeições. É ver beleza nas cicatrizes da cerâmica. Quem olha a peça restaurada admira sua beleza nas imperfeições.
Assim somos nas mãos de Deus, nosso oleiro. Ele vai dando forma mesmo quando nos sentimos quebrados e em cacos. Nos coloca de pé para a vida. E as cicatrizes desse momento passam a ser a sua beleza. É a beleza da resiliência e da transformação.
“Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18.5,6
Jesus ressuscitou com as cicatrizes. Ao ressuscitar as marcas dos pregos não causavam dor, mas se tornaram símbolos da sua vitória. Eram suas cicatrizes “com pó de ouro”.
Aquilo que chamamos de fraqueza e rachaduras, passa a mão do oleiro nos dando força. É justamente por suas imperfeições que passa a sua força e a graça divina:
“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Coríntios 12.9,10
FernandoRomero