quarta-feira, 27 de maio de 2026

QUANDO A VIDA NOS PERGUNTA: ONDE DE FATO EU PERTENÇO? QUAL É O MEU LUGAR?

Estou no lugar que me cabe ou estou preenchendo o vazio de outra pessoa? Há alguém preenchendo o meu vazio, ocupando o espaço onde eu deveria estar?

É preciso estar no lugar certo para depositar a minha voz. Só tenho voz no lugar ao qual de fato pertenço. Minha voz pode estar faltando por eu insistir em permanecer onde já não caibo mais — e, enquanto isso, outro coloca a voz no lugar que era para ser meu.
Quando estamos no lugar errado — seja em um relacionamento, no trabalho ou em uma dinâmica familiar —, nós nos tornamos um eco, não uma voz. É o que chamamos de desalinhamento existencial.
Jesus fez esta pergunta aos discípulos: “Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”
Pedro dá a resposta correta porque entendeu que o “lugar” não era um espaço geográfico, mas um espaço de verdade. O lugar correto é aquele onde existe verdade suficiente para tentar outra vez. É o solo onde o erro não gera condenação, mas aprendizado; onde a vulnerabilidade é permitida.
No lugar errado, você gasta energia tentando caber. Há desgaste, silenciamento e a sensação constante de ser um impostor na própria vida. Ali, a gente não apenas gasta energia para caber; a gente se fragmenta para caber. Torna-se um impostor porque o figurino pertence a um personagem que nunca fomos nós.
No lugar certo — o lugar da verdade —, há espaço para o erro, para o aprendizado e para a reconstrução. É onde a sua voz encontra eco e utilidade.
Às vezes, o maior ato de coragem não é insistir em permanecer, mas ter a honestidade de olhar ao redor, perceber que a verdade já não habita mais ali e perguntar a si mesmo: Para onde irei eu agora?
FernandoRomero

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