domingo, 1 de novembro de 2026

NÃO TENTE LIXAR AS ARESTAS DE QUEM VOCÊ AMA

Em qualquer construção verdadeira, existem pedras diferentes aprendendo a permanecer juntas. A família é exatamente isso: uma construção feita de pedras diversas.

Quando Jesus disse a Pedro “tu és pedra”, era sobre isso. É sobre ser uma base a partir da qual novas estruturas serão formadas.
A beleza da família está na individualidade de cada um. Cada pedra tem o seu valor e, juntas, elas formam a construção. Ninguém é pedra sozinho; somos colocados uns ao lado dos outros. Um tijolo sustenta o outro. Quem entende isso, entende o que é ser e ter uma família.
Família não é sobre puxar a pedra do outro. Quando isso acontece, a casa cai e a estrutura desmorona. A força de uma construção não vem da uniformidade do material, mas do apoio mútuo entre peças intencionalmente diferentes.
Cada pessoa tem seu próprio formato, textura e valor. Uma família saudável não tenta moldar todos para serem idênticos, mas encontra o encaixe perfeito para a singularidade de cada um. Puxar a pedra do outro destrói a estrutura como um todo. O egoísmo no ambiente familiar é o equivalente a remover a sustentação da própria casa onde se mora.
A analogia com a fala de Jesus a Pedro ressoa muito com essa ideia: a pedra fundamental não existe para brilhar sozinha, mas para servir de base e ponto de encaixe para todas as outras que virão depois.
O erro de muitas famílias é tentar “lixar” as arestas do outro até que todos fiquem iguais. Quando você força uma pedra a mudar seu formato natural, ela perde os pontos de apoio que a tornavam perfeita para aquele encaixe específico.
Fernando

A TEOLOGIA DO FEED: O DEUS QUE DEVORA SUA ATENÇÃO

Cada era fabrica seus próprios deuses. Houve um tempo em que Moloque — uma estátua com cara de boi, peito e pernas humanas — recebia adoração de seus devotos. Abria-se uma porta em seu peito, revelando uma fornalha onde crianças eram queimadas em sacrifício, enquanto uma orquestra tocava para abafar os gritos dos bebês.

Hoje, o deus da nossa era é a tecnologia. Todos os dias, ofertas são entregues a esse “deus algoritmo”, alimentado pela constante doação de dados pessoais. A mudança de altar não alterou a lógica do sacrifício; apenas refinou seus mecanismos, tornando-os invisíveis e voluntários.
O culto ao algoritmo opera no silêncio do toque, na anestesia do feed infinito e na entrega contínua do próprio ser. O dado não é mero número: é a exteriorização da sua atenção, dos seus medos, desejos, buscas noturnas e conexões afetivas. Não se entrega mais um bem material, mas a própria subjetividade fragmentada.
Enquanto o devoto antigo sabia que estava diante de uma estátua, o usuário moderno acredita ser o mestre da ferramenta — sem perceber que se tornou o próprio combustível que alimenta a engrenagem.
Fernando