QUAL O SABOR DE DEUS?
Jesus disse que nós somos o sal da terra. Se somos sal, é porque Ele é a própria essência do sal.
O sal tem o poder de realçar o sabor daquilo em que é colocado: ele deixa a cenoura mais cenoura e a carne mais saborosa. Sem ele, tudo fica insosso e desagradável ao paladar. Mas o sal carrega uma característica única: ele não quer aparecer sozinho.
Ninguém consome uma colher de sal puro — isso seria insuportável. O papel do sal é morrer para si mesmo, dissolvendo-se para fazer o outro brilhar.
Assim é o sabor de Deus: são os nossos próprios sabores realçados. Da mesma forma que o sal transforma a natureza do alimento, Deus transforma a natureza de quem O recebe. Ele não entra na nossa vida para nos transformar em robôs ou apagar a nossa personalidade; pelo contrário, Ele potencializa o que temos de melhor. O sabor de Deus em nós faz o alegre ser mais alegre, o compassivo ser mais compassivo e o artista ser ainda mais criativo. Ele torna o ser humano mais humano.
“Provai e vede que o Senhor é bom” (Salmo 34:8). Esse “provar” não é um teste intelectual, mas uma experiência sensorial, um paladar espiritual. Deus se manifesta nessa pitada de generosidade e acolhimento. Assim como Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, hoje Ele habita em nós.
Ninguém come uma refeição e diz: “Olha que panelada de sal gostosa!”. Dizemos: “Que comida boa, que carne saborosa!”. No entanto, quem deu o sabor foi o sal que, mesmo invisível, dissolveu a sua própria natureza no prato. Quando a comida está divina, o elogio vai para a carne, para o molho ou para o cozinheiro. O sal permanece ali, escondido e feliz por ter cumprido a sua missão de dar vida ao alimento.
Nós somos o prato que o mundo “consome”. Se a nossa presença for saborosa, é porque a pitada oculta de Deus está ali. Afinal, se somos o reflexo Dele, essa natureza vem Dele. É um Deus que age no silêncio e na estrutura, sustentando o sabor da vida sem precisar de um holofote egoísta.
Fernando Romero
Nenhum comentário:
Postar um comentário