terça-feira, 9 de junho de 2026

A CRIANÇA COMO ESTRUTURA: “O ALICERCE OCULTO”

“Deixai vir a mim as criancinhas.”

A criança não deve ser vista apenas como uma etapa do desenvolvimento ou uma fase que o tempo apaga. A criança é uma estrutura.
Nós crescemos, mas essa estrutura não desaparece; ela apenas recebe mais corporeidade, maturidade e cognição na psique. É a essa evolução que chamamos de “adulto”. No entanto, quando a estrutura superior (o adulto cognitivo, social e profissional) sofre uma sobrecarga, a rachadura acontece na base. Se a base foi bem solidificada, ela aguenta o impacto; se foi fragilizada na infância, o adulto balança.
As crianças não sabem dar nome aos seus medos; elas possuem sua própria linguagem, expressa pelo choro e pelo corpo. O adulto não substitui a criança; ele é construído sobre ela. Quando o peso da vida aumenta, é na base — nessa estrutura infantil — que sentimos o impacto.
Quantas vezes choramos por não saber dar nome aos nossos sentimentos? É a fase do incognoscível. Sofremos quando não conseguimos nomear o que nos habita. Por isso, o choro do adulto muitas vezes não é falta de maturidade, mas sim o limite da nossa linguagem racional. Quando a dor, o medo ou a transição superam a nossa capacidade verbal, quem assume o comando é essa nossa estrutura primeva.
Nós não estamos regredindo — estamos apenas operando na nossa camada mais profunda. O choro é a linguagem de quando a gramática do mundo não dá conta do que sentimos.
Jesus sabia disso ao dizer: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos” e “Deixai vir a mim as criancinhas”. O Reino dos Céus pertence às crianças porque ele é voltado àqueles que, como elas, precisam dar nome aos novos fenômenos do Reino. É uma constante evolução.
Ser como criança, é ter a capacidade de se encantar, de reconhecer a própria vulnerabilidade e de estar aberto a aprender o novo. Para entrar em uma nova realidade, precisamos aceitar que ainda não sabemos o nome de todas as coisas. Precisamos da humildade da criança que está, todos os dias, descobrindo o mundo.
FernandoRomero

Nenhum comentário:

Postar um comentário