O direito de impor limites saudáveis dentro da própria família.
Esse é um princípio fundamental que precisamos aprender. Jesus nos ensinou a amar até mesmo os nossos inimigos, mas só devemos manter por perto quem realmente gostamos. Existem pessoas que simplesmente precisamos deixar ir.
Pode soar duro, mas, na própria família, você já deve ter percebido que há pessoas com quem você só mantém vínculo por força do sangue. Se não fossem parentes, vocês não teriam qualquer ligação. A verdade é que, mesmo em família, ninguém é obrigado a gostar de ninguém. No entanto, devemos amar — no sentido de querer o bem.
No vocabulário da psicologia sistêmica, a diferenciação é justamente a capacidade de pertencer a uma família sem perder a própria individualidade; é reconhecer onde termina o outro e onde começa você.
Portanto, quem você ama, deixe ir e queira bem. Mas mantenha por perto apenas quem você realmente gosta. Viver em débito afetivo não é saudável. Quando forçamos a proximidade com quem não temos afinidade (ou, pior, com quem é tóxico), criamos um cenário de falsidade ou de conflito constante.
A máxima “Amar é querer o bem, e gostar é querer perto” desata um nó que sufoca muita gente: a culpa de não conseguir ter afinidade com quem compartilha o mesmo sangue.
“Parentesco é destino; família é escolha.”
Romper com a obrigação de gostar de alguém apenas por causa do sobrenome não é falta de amor. Pelo contrário: às vezes, deixar ir é a maior prova de amor-próprio — e de respeito ao outro — que alguém pode dar. É uma forma de validar o espaço do outro, sem permitir que ele invada o seu.
Fernando Romero
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