quinta-feira, 4 de junho de 2026

A NEUROSE DO VOCÊ NÃO ME REPRESENTA

Estamos vivendo uma época doentia de uma neurose patológica que é “você não representa” ou “você me representa”

Quem é de direita diz que Lula não os representa , quem vota já esquerda diz que os Bolsonaro não representa.
Há também aqueles neuróticos seguidores dos influenciadores digitais que os representa.
Isso mostra o quanto perdemos referência do próximo. Só pode te representar quem te entrega pela proximidade. Os que conhece suas dores, sua história. Porque não é sua esposa, filho, pai, um amigo próximo que te representa? Deveria ser. O próximo (o cônjuge, o amigo, o vizinho) dá trabalho. Ele tem defeitos, diverge, exige paciência e presença. É muito mais fácil “amar” um algoritmo ou um líder político distante do que suportar e acolher as dores de quem está dividindo a mesa com a gente.
Ficamos digital demais enquanto a alma pede um abraço humano.
Deixamos de ser pessoas e passamos a ser algoritmos.
O influenciador ou o político na tela não são pessoas reais para o indivíduo; são apenas telas em branco onde as pessoas projetam seus próprios desejos, frustrações e o ego. Quando o outro na tela falha em refletir exatamente o que o seguidor quer, vem a crise existencial do “você não me representa”.
A grande armadilha da política e do mundo digital hoje é fazer o indivíduo acreditar que uma figura pública que ele nunca viu — e que mal sabe que ele existe — pode carregar a sua identidade. É uma transferência de responsabilidade existencial. As pessoas terceirizam a própria voz para algoritmos e depois se sentem vazias.
Essa transferência que as pessoas fazem para as figuras públicas não seria, no fundo, um medo profundo de olhar para dentro e assumir a responsabilidade pelas próprias dores? Afinal, culpar quem “não nos representa” é muito mais confortável do que construir representatividade real nas nossas pequenas ações diárias.
FernandoRomero

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