O qual, em esperança, creu contra a esperança…” — Romanos 4:18
Deus para Elias na caverna: “Que fazes aqui, Elias?” Ele o chamou pelo nome para mostrar que Elias não era aquela depressão. Quando a dor dura muito tempo, ela tenta virar sobrenome; mas o texto nos lembra que ela é apenas o cenário. Lembrar o próprio nome é lembrar do propósito que já existia antes de a dor chegar — e que continuará existindo depois que ela passar.
Nós não somos a nossa dor. Somos seres com identidade. Respiramos cerca de 21% de oxigênio e 78% de nitrogênio. O nitrogênio faz parte do processo da vida. As plantas o recebem pelas raízes, e quem o leva até elas são as minhocas, que afofam a terra para que a vida nasça.
Ninguém olha para um jardim florido e elogia a terra revirada ou os vermes que andaram por ali. No entanto, sem esse processo desconfortável e "feio" debaixo da terra, a raiz sufoca. A dor, muitas vezes, é a vida cavando espaço dentro de nós para que possamos nos expandir. Ela machuca porque está ampliando a nossa capacidade de resiliência.
Assim como a árvore precisa romper com a casca velha para que o seu meristema suba com a flor em direção ao sol, assim somos nós. Precisamos romper com a dor porque ela não faz parte de quem somos, não é do material de que somos feitos. É a hora de, em esperança, crer contra a esperança. O diagnóstico real não é a dor; devemos crer no diagnóstico da potência.
Existe uma diferença brutal entre aceitar um tratamento e aceitar uma sentença. Às vezes, precisamos de remédios. "Remédio" vem de remediar, reencaminhar. O medicamento não anula a fé; ele apenas organiza as ferramentas biológicas para que a nossa potência consiga emergir novamente.
Devemos olhar para a dor, mas também para o diagnóstico da potência que já habita em nós. Dessa forma, na força da esperança, cremos contra a expectativa da dor. Assim como a árvore deixa seu passado nas raízes — na casca velha — e dali extrai a seiva, a nossa dor também se tornará passado, e dela extrairemos força e consolo para ajudar outros.
A árvore não carrega a casca velha no topo; ela a deixa na base. O que foi dor vira tronco grosso, vira história, vira estrutura. No fim, a seiva que alimenta as novas folhas passa justamente por onde o tronco já cicatrizou.
FernandoRomero
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